
A CONDIÇÃO HUMANA
O impacto do meio na vida da mulher
Muitos descaminhos na vida de uma mulher são engatilhados pela influência do seu entorno.
Na maioria das vezes, essa errância conjuntural dificilmente pode ser quebrada. Mulheres são apartadas por expectativas de gênero, por uma lógica de trabalho injusta e por viver em um mundo que elas simplesmente não conseguem exercer sua cidadania.
A Fístula OBSTÉTRICA
O instante singelo da vida, ao invés de ser celebrado, se transforma em desespero para muitas mulheres que vivem em regiões remotas, rurais, ou em bolsões de pobreza. Foi nesse contexto desolador que tomei conhecimento do que é essa tragédia global inacreditável conhecida como “crise da fístula obstétrica”. Trata-se de uma sequela provocada por um parto mal sucedido, com longas contrações sem dilatação. A recorrência não divulgada é muito acima do normal quando grandes populações vivem em áreas remotas, longe de centros com alguma estrutura médica. Algo muito comum em regiões mais remotas da Ásia, América Latina e especialmente na África, em particular nos países montanhosos como Etiópia, Angola e Ruanda.
Mais de 2 milhões de mulheres vivem com uma fístula e cerca de 50.000 a 100.000 novos casos se desenvolvem anualmente.
A SAGA DAS MULHERES ESCALPELADAS
Na amazônia brasileira. como única forma de mobilidade, o barco passou a ter sua propulsão com motores adaptados, de altíssima potência, e que expõem as pessoas a permanecer durante longos e inevitáveis trajetos ao lado desse monstro mecânico, barulhento e assustador. O resultado, é o escalpelamento, um acidente em que os cabelos são literalmente sugados ou arrancados porque as mulheres ali se expuseram, no instante de seu cansaço, sono ou mesmo numa queda com o assoalho úmido. Homens também podem ser vítimas deste nfortúnio, mas representam uma minúscula parte. De todas as vítimas que me encontrei, 100% eram mulheres e meninas. Este é, portanto, um contexto de gênero. Encontrei uma imensa população de mulheres que foram vítimas de escalpelamento, o que me fez tentar compreender esta tragédia mais de perto. Muitas delas estavam desassistidas, com pouco ou nenhum auxílio do Estado, confinadas em suas cabanas distantes, lidando com a depressão, isolamento e em pleno processo de auto-aceitação para curar um ferimento tão assolador.
Uma tragédia Amazônica
A LUTA PELA ÁGUA
A rotina da busca pela água em longas distâncias de caminhada expõe as mulheres a riscos particulares como importunações masculinas, assédio e violência sexual. Delegar grande parte do trabalho doméstico e da gestão da água para mulheres também as afasta da escola, confinando-as a uma condição caseira e apartada. Deixa-as fisicamente mais drenadas e mais sucetíveis a problemas físicos e mentais. A crise hídrica que se torna cada vez mais severa com o aquecimento do planeta no século 21 colabora para prolongar e aprofundar a condição da mulher como uma vítima potencialmente mais exposta à mudança climática. Essa série de fotos examina exatamente isso. A crise da escassez de água é essencialmente feminina, e eu pude constatar isso claramente ao longo de dois anos de minha vida que me dediquei a compreender a crise hídrica global em lugares como Rajastão, Quênia, Bangladesh, Jordânia, Palestina, Etiópia, Bolívia e Brasil.