a opressÃO CULTURAL

O impacto dos dogmas e tradições na vida da mulher

Lar deveria ser um local de acolhimento e amor. É nosso espaço de refúgio para o descanso do corpo e da alma. Mas para muitas mulheres, a casa é local de inquietude, ameaças, violência e morte.

A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

O feminicídio geralmente se manifesta de forma gradativa e sorrateira. Há a violência física, mas antes dela também há a violência verbal, a psicológica, a violação da liberdade, dos bens e da identidade em geral de uma mulher. Um ciclo que se repete e se perpetua. Para olhar isso de perto não precisei ir longe. O Brasil, meu país de origem, é um dos locais mais violentos e desiguais do planeta para se ser mulher. Trabalhei com assistentes sociais, policiais, legistas e autoridades para compreender um fenômeno que geralmente acontece de forma velada e profundamente desesperadora para a vítima.

AS SOBREVIVENTES DE ATAQUEs COM ÁCIDO

Os ataques com ácido estão assustadoramente presentes em diversos países, encravados em culturas de posse e ciúme do homem que carrega a visão de propriedade sobre sua mulher pretendente. Na maioria dos casos os ataques foram atos passionais de homens que não souberam lidar com a rejeição. Um raciocínio terrível que leva a uma assustadora permanência da visão de que determinada mulher deveria perder a beleza. Os rostos são sempre o alvo do ataque. Os atos muitas vezes são contratados por terceiros e ministrados criminalmente de forma meticulosamente planejada. O fácil acesso a frascos de ácido sulfúrico já levou diversos governos a regulamentar e proibir seu estoque, o que também nos leva a uma compreensão de que o ácido é geralmente útil para desobstruir canos e banheiros, em regiões sem estrutura sanitária.

A Mutilação GENITAL FEMININA

Geralmente feita sem cuidados, além de ser crime na grande maioria dos países onde perdura, a MGF leva à infeções e morte das meninas, sem falar na dor insuportável. Mas ao conversar com as vítimas(sobreviventes) fica evidente que os efeitos psicológicos surtem um peso muito mais profundo e duradouro do que a dor física. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 200 milhões de meninas já foram submetidas à excisão da genitália, sendo parcialmente ou totalmente removidas com uma lâmina. Em alguns casos ainda se fecha o canal vaginal, costurando-a (esta é a chamada infibulação, a mutilação mais severa de todas). Ao se compartilhar e ter conhecimento de histórias de suas semelhantes, as mulheres geralmente se sentem encorajadas a lutar por seus direitos, por mais informação, pela liberdade de livrar a próxima geração deste dogma devastador. Dizendo de outra forma, converter o desespero em dignidade.